
Área de atendimento do programa criada na DASS, em Vitória da Conquista. Imagem: Sistema FIEB.
Consultas médicas inacessíveis, filas longas e falta de acompanhamento regular são parte da realidade de muitos trabalhadores brasileiros. Para as empresas, isso se reflete em afastamentos e queda na produtividade. Nesse cenário, a Atenção Primária à Saúde (APS) tem se consolidado como uma solução de alto impacto, tanto na redução de despesas quanto na melhoria da qualidade de vida.
Estudos revelam que a Atenção Básica é capaz de resolver cerca de 85% dos problemas de saúde da população. Pensando nisso, o Serviço Social da Indústria (SESI) da Bahia inovou e desenvolveu o Programa SESI Acolhe, um modelo voltado para trabalhadores e empresas, que fortalece a prevenção, o acompanhamento contínuo e a redução de afastamentos.
A adesão ao modelo do SESI tem trazido resultados concretos para a indústria. A Camisas Polo, sediada em Salvador, é uma das empresas que aderiu ao modelo de Atenção Primária da entidade. Para Hari Hartmann, CEO da companhia, a decisão trouxe benefícios diretos para o clima organizacional e para a saúde dos colaboradores: “Os colaboradores gostam, o absenteísmo diminuiu, a empresa está mais tranquila e as pessoas ficam mais satisfeitas. Foi uma das melhores coisas que a gente podia fazer”, afirma.
Recentemente, a DASS, de Vitória da Conquista, também aderiu ao programa, beneficiando seus quase sete mil funcionários. Loranny Rayka Ribeiro Gomes, enfermeira do Trabalho da DASS, destacou os benefícios diretos: “O cuidado vai desde a saúde da mulher, com pré-natal e preventivos, até o atendimento odontológico e assistencial. O SESI trouxe essa estrutura inovadora para dentro da fábrica, proporcionando atendimento ágil e próximo dos colaboradores”.
A busca por soluções como a SESI Acolhe se explica pelo crescimento acelerado dos custos médicos. Segundo a Mercer Marsh Benefícios (2025), o plano de saúde corporativo representa, em média, 15,8% da folha de pagamento das empresas, tornando-se o segundo maior gasto com pessoal, atrás apenas dos salários. A título de comparação, em 2012, a assistência médica representava 13,57% da folha, segundo dados do SESI Nacional. Além disso, os reajustes de planos coletivos chegaram a 383,5% entre 2015 e 2025, muito acima da inflação geral no período (84%).
“O programa de Atenção Primária do SESI é inspirado no modelo ‘Saúde da Família’ e voltado para o trabalhador da indústria e seus dependentes. A proposta é oferecer cuidado contínuo e integral, com foco na prevenção, no monitoramento e no tratamento de condições de saúde, antes que evoluam para situações de maior gravidade”, explica Gerente de Promoção da Saúde do SESI Bahia Luísa Lima.
A atenção do Programa a essas condições crônicas é estratégica. Dados de estudos locais e nacionais mostram que a sociedade enfrenta uma batalha crescente: A hipertensão, por exemplo, hoje atinge cerca de 30% da população adulta em capitais como Salvador e o número de pessoas com obesidade cresceu 72% em 13 anos no Brasil. “Essas condições quando não tratadas representam não apenas um maior risco de complicações graves como Infarto e AVC, mas também reduzem a disposição, concentração e produtividade no dia a dia das pessoas”, detalha Luísa.
Ela também explica que o SESI Acolhe tem foco no cuidado e acolhimento dos trabalhadores: “Hoje focamos na resolução das queixas, conseguindo resolver 94% desses casos. Ou seja, de cada 100 colaboradores com problemas de saúde que se enquadram no atendimento de atenção básica 94 tem suas queixas resolvidas pelas nossas equipes. Isso significa qualidade de vida, maior produtividade, menos ausências no trabalho, porque não é apenas a consulta médica em si que faz o trabalhador se ausentar do seu posto, mas a busca pelo atendimento também”.
Aumento da produtividade
Além de reduzir internações evitáveis e custos crescentes com planos médicos, a APS tem impacto direto em indicadores como produtividade e engajamento. Pesquisas recentes da ABRH Brasil mostram que empresas que adotam programas estruturados de promoção da saúde conseguem controlar melhor as doenças crônicas, responsáveis por até 75% dos gastos corporativos com saúde, além de promover ambientes de trabalho mais humanos e sustentáveis.
“O SESI Acolhe tem profissionais de saúde sérios e comprometidos, além de uma equipe de atendimento muito atenciosa, que a gente percebe principalmente na organização quanto as marcações de consulta e horário de atendimento. Eles excedem as expectativas”, analisa a coordenadora administrativa da R2T, Amanda Smith. Ela, que é uma beneficiária do programa, através da empresa que trabalha, ressalta também a importância de ter todos os atendimentos em um mesmo lugar, com uma “excelente estrutura e ambiente tranquilo”.
Ana Lúcia dos Santos, funcionária do Polo Salvador, detalha justamente os diversos problemas de saúde que agora são tratados de modo integrado pelo SESI Saúde Acolhe: “Eu estava um pouco depressiva, com o colesterol muito alto, crise de ansiedade e isso me frustrava muito. A gente dependia muito do SUS, hoje a gente liga e já marca uma consulta”, relata a colaboradora, que agora tem atendimento médico personalizado, em uma sala reservada na própria empresa que trabalha.
Tudo isso é possível graças a estrutura e equipe do SESI Saúde Acolhe, com psicólogos, técnicos de enfermagem, enfermeiros, médicos e nutricionistas. O Programa compreende consultas com esses profissionais e trabalha por linhas de cuidados relacionadas a assistência e monitoramento dos principais problemas que acometem a população, como dor, saúde mental, saúde da mulher, saúde do homem e idoso, além da realização de alguns procedimentos, como o preventivo para mulheres, dentre outros.